As cidades são as maiores responsáveis pelo agravamento das mudanças climáticas, uma vez que são nesses espaços onde ocorrem as atividades responsáveis por cerca de 70% das emissões globais de dióxido de carbono (através da queima de combustíveis fósseis para atividade industrial, transporte, etc.). Ao mesmo tempo, as cidades concentram a maior parte das pessoas, configurando assim, os espaços mais vulneráveis aos impactos das mudanças no clima, como enchentes, inundações, deslizamentos de terra, seca, aumento da temperatura, aumento do nível do mar, entre outros. As oportunidades e soluções para minimizar o aquecimento global vêm das cidades. E por isso, acredita-se que elas têm um papel importante na proteção do nosso futuro coletivo.

Entre 5 e 7 de março, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), o principal organismo de avaliação das mudanças no sistema climático, realizou a primeira conferência científica sobre Cidades e Mudanças Climáticas, em Edmonton, no Canadá.  Nessa ocasião, cientistas, formuladores de políticas, pesquisadores e especialistas em desenvolvimento se reuniram para avançar no entendimento global do tema, os impactos sobre as cidades e o papel crítico desempenhado pelas localidades na solução desse desafio. A conferência foi marcada pelo estabelecimento de uma agenda de pesquisa global, que apoiará um novo relatório especial sobre as alterações climáticas e as cidades, que será lançado pelo IPCC nos próximos anos.

A Conferência ocorreu na cidade de Edmonton, pois seu prefeito, Don Iveson, considera o tema relevante para a agenda política global e tem buscado atuar frente às mudanças climáticas, desde que participou da Conferência do Clima das Nações Unidas, em Bali, na Indonésia, em 2007. Na sua gestão, a cidade de Edmonton tem investido nas energias renováveis, programas de eficiência energética e no tratamento adequado dos resíduos sólidos.

Ao redor do mundo, mais e mais cidades têm se comprometido com ações climáticas que vão desde planos de adaptação que consideram os cenários futuros de mudanças do clima, passando por intensificação da arborização urbana e até a proibição do uso de carros em determinados trechos da cidade. Há um movimento crescente de conscientização em relação a essa questão, que se configura como um dos maiores desafios do século 21. E o que tem se observado nas cidades que estão na linha de frente da ação climática, é que elas possuem uma liderança política seriamente engajada e determinada a levar as ações adiante.

No Brasil, comemoramos no último dia 16 de março o dia nacional da Conscientização sobre Mudanças Climáticas. Mas aqui, não andamos muito conscientes não. Dos 5.570 municípios, apenas sete possuem uma política municipal de mudanças climáticas aprovada: Belo Horizonte, Feira de Santana, Fortaleza, Palmas, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. São esforços isolados no contexto brasileiro, mas importantes, para que se multipliquem pelo país. Jundiaí também tem um papel bastante importante frente a esse tema, já que possui em seu território a área de preservação ambiental da Serra do Japi. Além disso, a cidade, assim como outras no nosso país, pode avançar em outros setores, como: arborização urbana, tratamento de resíduos sólidos e reciclagem, transporte público com energia limpa, ciclovias, eficiência energética das construções urbanas, entre outros.

Há muito a ser feito e por isso não podemos esperar. Não há tempo a perder quando o assunto é o clima.

 

Para saber mais:

https://citiesipcc.org/

http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/documentos/Relatorio_UM_v10-2017-1.pdf

*Texto publicado em http://www.jundiagora.com.br/clima-cidades, 25 de março de 2018.

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